horia Falar com a Horia

Como implementar IA na empresa em 90 dias: o passo a passo

Para saber como implementar IA na empresa em 90 dias, comece por um único processo: meça como ele funciona hoje e escreva uma meta antes de construir qualquer coisa. O roteiro tem três fases: entender e medir (semanas 1 e 2), construir e integrar (semanas 3 a 6) e usar e medir na operação real (semanas 7 a 13). Do lado da empresa, bastam um responsável da área com cerca de duas horas por semana, os documentos do processo e uma conversa aberta com a TI.

Por Eduardo Vieira · · 6 min de leitura

Saber como implementar IA na empresa é menos uma questão de tecnologia e mais uma questão de ordem. Quem começa pela ferramenta costuma parar na demonstração. Quem começa por um processo, com um número de partida e uma meta escrita, chega ao fim de 90 dias com algo rodando e um resultado para mostrar.

Este é o roteiro que usamos na prática, semana a semana. Ele vale para um processo por vez. O segundo processo anda mais rápido, porque a base já existe.

Por que 90 dias é o prazo certo para um piloto de IA?

Noventa dias é tempo suficiente para construir, colocar em uso e medir. E é curto o bastante para manter a atenção da diretoria e da equipe.

Prazos longos viram projeto de TI sem data para entregar valor. Prazos curtos demais geram uma prova de conceito bonita que ninguém usa no dia a dia.

Esse segundo risco é real. O Gartner previu em 2024 que 30% dos projetos de IA generativa seriam abandonados depois da prova de conceito até o fim de 2025. O piloto de 90 dias existe para não cair nesse grupo: ele termina em operação, não em apresentação.

Como implementar IA na empresa: as três fases do roteiro

O roteiro se divide em três fases, cada uma com uma entrega clara. Uma fase só começa quando a anterior entregou o que prometeu.

FaseSemanasO que aconteceEntrega
1. Entender e medir1 e 2Mapear o processo como ele é, levantar exceções, medir tempo e erro atuaisLinha de base e meta escrita
2. Construir e integrar3 a 6Montar o agente, conectar aos sistemas, testar com casos reaisAgente funcionando em ambiente de teste
3. Usar e medir7 a 13Operação real com aprovação humana, ajustes semanais, mediçãoResultado comparado com a meta e decisão de continuar

Semanas 1 e 2: entender o processo e medir o ponto de partida

As duas primeiras semanas servem para ver o processo como ele acontece de verdade, e não como está descrito no manual.

  1. Acompanhe quem faz. Sente ao lado de quem executa a tarefa e registre cada passo, cada sistema aberto e cada planilha consultada.
  2. Liste as exceções. Os casos que fogem da regra são os que mais consomem tempo. Eles precisam entrar no desenho desde o início.
  3. Meça a linha de base. Quanto tempo leva cada caso, quantos casos chegam por mês e quantos voltam com erro.
  4. Escreva a meta. Uma frase com número e prazo. Um exemplo: "reduzir de dois dias para quatro horas o tempo de resposta, sem aumentar o retrabalho".

Sem linha de base, não há como provar resultado no fim. O cálculo está detalhado em como medir o ROI de um projeto de IA antes de começar.

Semanas 3 a 6: construir o agente e integrar aos sistemas

Com o processo mapeado, a construção começa pelo caminho mais comum e depois cobre as exceções, uma a uma.

  • Semana 3: primeira versão do agente, lendo os documentos reais do processo e respondendo no formato que a equipe já usa.
  • Semana 4: conexão com os sistemas, começando só pela leitura. O agente consulta o ERP, o CRM ou a caixa de e-mail, mas ainda não grava nada.
  • Semana 5: testes com casos antigos, já resolvidos. A equipe compara a resposta do agente com o que foi feito na época.
  • Semana 6: ajustes, definição de quem aprova o quê e um treino curto com as pessoas que vão usar.

Uma regra prática: o agente começa sugerindo e uma pessoa aprova. A autonomia aumenta só depois que os números mostram que ele acerta.

Semanas 7 a 13: usar na operação real e medir

A fase de uso é a mais importante. É nela que o projeto deixa de ser teste e passa a fazer parte da rotina.

  1. Semanas 7 e 8: o agente entra na operação com parte do volume. Todo resultado passa por revisão humana.
  2. Semanas 9 a 11: o volume aumenta. Uma reunião curta por semana revisa erros, exceções novas e ajustes necessários.
  3. Semanas 12 e 13: medição final, com a mesma régua da linha de base, e decisão: ampliar, ajustar ou parar.

Parar também é um resultado válido. É melhor descobrir em 90 dias que o processo não compensa do que manter um projeto aberto por um ano.

O que a empresa precisa dar para o piloto funcionar?

A empresa precisa dar quatro coisas: uma pessoa, os documentos, acesso aos sistemas e apoio da diretoria. Não é preciso montar uma equipe de dados nem parar a operação.

O queQuantoPor quê
Responsável da áreaCerca de 2 horas por semanaConhece as exceções, valida respostas e decide o que muda no processo
Documentos do processoComo estão hojePolíticas, tabelas, modelos e exemplos reais alimentam o agente
Conversa com a TIUma reunião no início e acompanhamentoAcessos, permissões e segurança precisam ser combinados cedo
Apoio da diretoriaPresença no início e no fimGarante prioridade e decide a continuação

O responsável da área é a peça que mais faz diferença. Quando ele some, o agente fica tecnicamente correto e operacionalmente inútil.

Os documentos não precisam estar perfeitos. O agente trabalha com o material como ele está, e as falhas aparecem durante os testes, que é o melhor momento para corrigi-las.

O que costuma dar errado (e como evitar)

A maioria dos tropeços tem a ver com escolha e com gente, não com tecnologia. A BCG apontou em 2024 que cerca de 70% do desafio de gerar valor com IA está em pessoas e processos.

  • Processo grande demais. "Automatizar o financeiro" não é um piloto. "Conciliar notas de fornecedores com pedidos" é.
  • Meta sem número. "Ganhar eficiência" não se mede. Defina tempo, volume ou taxa de erro.
  • TI chamada tarde. Se o acesso ao sistema só entra em pauta na semana 5, o cronograma escorrega.
  • Ninguém dono do uso. Sem alguém acompanhando a adoção, o agente fica de lado e a equipe volta para a planilha.
  • Autonomia total no primeiro dia. Aprovação humana no começo gera confiança e evita erro caro.

Depois dos 90 dias: o que vem a seguir?

Se a meta foi atingida, o agente passa para a operação mensal, com acompanhamento de indicadores e ajustes sempre que o processo mudar.

O segundo processo aproveita a mesma base de documentos, as mesmas integrações e as mesmas regras de aprovação. Por isso ele anda mais rápido e custa menos esforço da equipe.

É assim que a Horia conduz os pilotos: um processo, uma meta escrita, 90 dias e uma decisão baseada em número.

Perguntas frequentes

Dá para implementar IA na empresa sem uma equipe de TI própria?

Dá. A TI interna, quando existe, participa liberando acessos e validando a segurança, mas a construção pode ficar com um parceiro. O que não dá para terceirizar é o responsável da área, que conhece o processo e valida as respostas.

Preciso organizar todos os dados da empresa antes de começar com IA?

Não. O piloto usa apenas os documentos e sistemas do processo escolhido, do jeito que estão hoje. Organizar tudo antes costuma atrasar meses e não garante que a informação certa esteja pronta para o caso real.

Quanto tempo da equipe um piloto de IA consome?

O responsável da área dedica cerca de duas horas por semana, com um pouco mais nas duas primeiras semanas. As demais pessoas participam do teste e do uso, que já é parte do trabalho delas.

O que acontece se o piloto não atingir a meta?

A empresa decide com base nos números: ajustar o desenho, trocar de processo ou parar. Como a linha de base e a meta foram escritas no início, a decisão fica clara e não depende de opinião.

Eduardo Vieira · Eduardo Vieira é sócio da Horia. Conduz a implantação de agentes de IA dentro da operação das empresas: escolha do processo, construção, integração com os sistemas e medição do resultado. Outros artigos

Quer olhar isso na sua operação? Converse 45 minutos com a gente, sem custo →